
Poema #23: C I D A D E
Passa o poeta com seus passos de passar o tempo
Passar o mundo e a cidade
Que passa sem passar
E passa…
Vê o poeta, com o olho clínico que se espera,
o andar das gentes,
a solidão e o frio e o vazio,
as ondas e o mar.
O barulho da multidão: faca ameaçadora.
Um golpe rápido e mortal da modernidade
ou pós-modernidade…
O caminhão da prefeitura, barulhento,
retira os restos dos cestos.
Um carro vermelho… vinho,
(o brilho do sol não ajuda a definição)
quase atropela uma jovem florista
na esquina.
De repente, como num surto ou febre ou pesadelo,
mergulha o poeta num redemoinho
e passa a passar os passos em uma rua de pedra,
a chuva chega e o abraça e ele sonha acordado.
A cidade some na neblina
Tudo é névoa e chuva
Passos sem tempo de gastar.
E é a vila de outrora
As histórias de rei menino
que contava e ouvia contar…
Num espanto se deu o passado
Num riso esqueceu-se o presente
Tudo é sossego
Ruas de pedra…























